Fios de PDO: para que servem, quando são indicados e quais são seus limites
Os fios de PDO costumam despertar interesse porque prometem melhorar a sustentação do rosto sem cirurgia. Mas existe um ponto essencial que precisa ser esclarecido desde o início:
fios de PDO não são um lifting cirúrgico.
Eles podem ser uma opção em casos bem selecionados, principalmente quando existe flacidez leve a moderada e expectativa realista.
Na Boa Forma Estética, o objetivo é buscar melhora de sustentação e qualidade da pele sem transformar a identidade da paciente.
O que são fios de PDO?
PDO é a sigla para polidioxanona, um material absorvível utilizado em diferentes tipos de fios.
Dependendo da estrutura do fio e da técnica utilizada, ele pode ter propostas distintas.
Alguns fios são usados principalmente para estimular colágeno e melhorar a qualidade da pele.
Outros possuem estruturas que permitem maior interação mecânica com os tecidos, ajudando no reposicionamento e na sustentação.
Fios lisos e fios de sustentação são a mesma coisa?
Não.
Fios lisos
Têm como principal objetivo favorecer estímulo de colágeno e melhorar progressivamente características da pele.
Fios espiculados ou de sustentação
Possuem estruturas que permitem maior aderência aos tecidos e podem contribuir para um efeito de reposicionamento.
Embora ambos possam estimular colágeno, a proposta principal de cada tipo é diferente.
Quais regiões podem ser tratadas?
Na prática da Camila Rebouças, algumas das regiões frequentemente avaliadas são:
terço médio da face;
contorno mandibular;
jowls;(queda do contorno lateral da mandíbula)
sulco nasogeniano;
outras áreas de flacidez facial.
A indicação não deve ser feita olhando apenas uma região isolada.
O rosto precisa ser avaliado como um conjunto.
Para quem os fios de PDO podem ser indicados?
Na experiência de Simone Rebouças na Boa Forma Estética, muitas pacientes que procuram o procedimento estão entre 40 e 60 anos, mas a avaliação individual é mais importante do que a faixa etária.
flacidez leve a moderada;
expectativa realista;
desejo de melhorar contorno;
busca por leve reposicionamento;
interesse em melhorar progressivamente a qualidade da pele.
A idade, isoladamente, não determina a indicação.
Na experiência da Simone, muitas pessoas que procuram o procedimento estão entre 40 e 60 anos, mas a avaliação individual é mais importante do que a faixa etária.
Quando os fios não são a melhor opção?
Quando existe:
flacidez muito intensa;
excesso importante de pele;
queda acentuada dos tecidos;
expectativa semelhante à de um lifting cirúrgico.
Nessas situações, o fio pode não entregar o resultado esperado.
Em casos de flacidez acentuada ou excesso importante de pele, pode ser necessária avaliação por cirurgião plástico para discutir opções cirúrgicas.

Fios de PDO substituem lifting cirúrgico?
Não.
Essa é uma das informações mais importantes deste artigo.
O lifting cirúrgico e os fios de PDO possuem propostas, técnicas e capacidades de correção muito diferentes.
Fios de PDO podem produzir melhora de sustentação em pacientes bem selecionados, mas não substituem cirurgia quando existe excesso importante de pele ou flacidez avançada.
O resultado é imediato?
Parte do resultado pode ser percebida logo após o procedimento, principalmente nos fios com proposta de sustentação.
Entretanto, esse não é o resultado completo.
Além do efeito mecânico inicial dos fios de sustentação, ocorre uma resposta tecidual ao redor do material. O possível componente relacionado à remodelação e ao estímulo de colágeno é progressivo, mas sua contribuição para a duração clínica do resultado ainda não está completamente estabelecida.
Por isso, a paciente não deve avaliar o resultado definitivo imediatamente após a colocação.
Quanto tempo dura?
Não existe um prazo igual para todas as pessoas.
O fio é absorvido gradualmente pelo organismo, mas a duração do resultado não depende apenas do tempo de permanência física do material.
Também entram em jogo:
produção de colágeno;
tipo de fio;
região tratada;
técnica;
quantidade;
características da pele;
processo natural de envelhecimento.
A manutenção deve ser decidida após reavaliação, e não por uma regra fixa de calendário.
Quando o fio é absorvido, o rosto cai mais?
Não há evidência de que a absorção do fio, por si só, provoque uma piora automática da flacidez. O envelhecimento e as alterações dos tecidos continuam acontecendo naturalmente ao longo do tempo.
O envelhecimento continua naturalmente.
Com o passar do tempo, pode haver novamente percepção de perda de sustentação porque os tecidos continuam envelhecendo, e não porque a absorção do fio tenha provocado piora da flacidez.
Essa é uma das crenças que mais geram insegurança nas pacientes.
O procedimento dói muito?
Pode haver desconforto, mas a experiência varia conforme:
região tratada;
tipo e quantidade de fios;
técnica;
sensibilidade individual.
Também podem ocorrer edema, sensibilidade e hematomas após o procedimento.
Pode haver ondulações ou assimetrias?
Sim.
Algumas alterações temporárias podem aparecer nos primeiros dias, incluindo:
edema;
vermelhidão;
sensibilidade;
hematomas;
pequenas assimetrias;
ondulações ou retrações da pele.
A literatura também descreve intercorrências menos comuns, como fio visível ou palpável, infecção, migração e outras complicações. Por isso, a técnica e o acompanhamento profissional são fundamentais.
Por que conhecimento anatômico é importante?
Os fios são introduzidos em planos específicos dos tecidos.
Uma colocação inadequada pode aumentar o risco de:
irregularidades;
retrações;
assimetrias;
lesões de estruturas anatômicas;
outras complicações.
Por isso, a escolha do profissional e o conhecimento da anatomia facial fazem parte da segurança do tratamento.
Fios de PDO podem ser associados a outros tratamentos?
Sim, quando existe indicação.
Na Boa Forma, o planejamento pode incluir:
tecnologias para flacidez;
tratamentos voltados à qualidade da pele.
Mas existe um princípio importante:
associar tratamentos não significa fazer tudo ao mesmo tempo.
Cada procedimento possui um momento adequado, e o tecido precisa de tempo para recuperação.
Como evitar resultado artificial?
Camila Rebouças | RT | CRBM1 resume bem:
respeitar a anatomia e não tentar fazer mais do que o rosto realmente precisa.
Um resultado natural é aquele em que a pessoa mantém suas características individuais, com melhora compatível com o planejamento realizado, como:
mais descansada;
com contorno mais definido;
com melhor sustentação;
sem que o procedimento se torne o elemento mais evidente do rosto.
Quais cuidados são importantes depois?
As orientações específicas dependem da técnica e do caso.
De forma geral, podem incluir:
evitar manipular ou massagear a região;
respeitar o período orientado sem atividade física intensa;
seguir os cuidados de higiene e proteção;
comunicar qualquer alteração fora do esperado.
Medicamentos não devem ser suspensos por conta própria.
Perguntas frequentes
Fios de PDO deixam cicatriz?
O procedimento utiliza pontos de entrada pequenos. A resposta da pele varia individualmente, mas não se trata de uma cirurgia com incisões extensas.
Os fios podem ser sentidos?
Em alguns casos, pode existir percepção temporária do fio ou sensibilidade durante o período inicial de acomodação.
Quantos fios são necessários?
Não existe quantidade padrão. Depende da anatomia, tipo de fio, objetivo e região tratada.
Fios estimulam colágeno?
Sim. A presença do fio absorvível pode estimular uma resposta tecidual associada à produção de colágeno ao redor do seu trajeto.
Preciso repetir o procedimento?
Não existe regra fixa. A manutenção deve ser definida após avaliação da evolução da pele e do grau de flacidez.
Conclusão
Fios de PDO podem ser bons aliados para pacientes com flacidez leve a moderada e expectativas realistas.
Eles podem contribuir tanto para sustentação quanto para estímulo de colágeno, dependendo do tipo de fio utilizado.
Mas existe um limite claro:
fios de PDO não substituem lifting cirúrgico quando há indicação de cirurgia.
Na Boa Forma Estética, o objetivo é buscar um resultado seguro, gradual e natural, respeitando a anatomia e as características individuais.
Como resume a Camila Rebouças:
Fios de PDO podem ser excelentes aliados quando existe indicação correta. O resultado depende da avaliação, da técnica e de um planejamento bem feito.
Fontes e referências
Este conteúdo reúne a experiência clínica da Boa Forma Estética com evidências científicas atuais sobre fios absorvíveis utilizados para rejuvenescimento e sustentação facial. Os estudos disponíveis mostram possibilidade de melhora em pacientes selecionados, principalmente no curto prazo, mas ainda existem limitações quanto à duração dos resultados, padronização das técnicas e qualidade da evidência em longo prazo. Por se tratar de um procedimento invasivo, seleção adequada do paciente, conhecimento anatômico, técnica e utilização de produtos regularizados são fundamentais.
Riopelle AM, Geisler AN, Eber A, Dover JS. Update on Absorbable Facial Thread Lifts. Dermatologic Surgery, 2025.
Revisão sistemática de 12 estudos e 818 pacientes sobre fios absorvíveis no terço médio e inferior da face, sendo a polidioxanona o material mais estudado. Encontrou melhora estética principalmente após o procedimento, mas concluiu que ainda faltam dados consistentes de eficácia em longo prazo.
Germani M, Munoz-Lora VRM, Carnevali ACN, et al. Is More Always Better? A Randomized Comparative Clinical Trial About the Impact of Polydioxanone Threads Quantity for Facial Lifting. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 2025.
Ensaio clínico randomizado comparando diferentes quantidades de fios de PDO. Utilizando avaliação tridimensional objetiva, não encontrou vantagem sustentada com maior número de fios. Parte das alterações iniciais de deslocamento e volume diminuiu aos 60 dias, reforçando que “mais fios” não significa necessariamente melhor resultado duradouro.
Zhou X, Zhuang S. A Meta-analysis of Complications of Thread Lifting. Frontiers in Surgery, 2026.
Meta-análise de 26 estudos, envolvendo 2.827 pacientes. Identificou eventos como edema, equimoses, ondulações, fios visíveis ou palpáveis, alterações de sensibilidade, exposição e infecção. A grande heterogeneidade entre os estudos impede transformar essas frequências em um risco único aplicável a todas as técnicas e pacientes.
Jia D, Song K, Ting W, et al. Absorbable Micro-Aesthetic Lifting Thread for Nasolabial Fold Correction: A Multicenter, Randomized, Evaluator-Blinded, Parallel-Controlled Clinical Trial. Aesthetic Plastic Surgery, 2026.
Ensaio multicêntrico randomizado com 151 participantes comparando um novo fio absorvível com um fio de PDO já comercializado para correção do sulco nasogeniano. Houve melhora em pacientes selecionados até sete meses, sem eventos adversos graves relatados no estudo. Os resultados são específicos para os produtos, técnica e região estudados e não devem ser extrapolados para todos os fios de PDO ou todas as áreas faciais.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Produtos dermatológicos irregulares são proibidos pela Anvisa.2026.
A Anvisa determinou a proibição de fios de PDO comercializados sem registro sanitário no Brasil. A Agência orienta que produtos para saúde sejam consultados em seu sistema e utilizados somente quando estiverem devidamente regularizados. Esse cuidado faz parte da segurança de qualquer procedimento que utilize fios implantáveis.
Quer saber se os fios de PDO são indicados para você?
Uma avaliação individualizada permite analisar o grau de flacidez, a anatomia e quais tratamentos podem fazer sentido para seu caso.