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Preenchimento facial com ácido hialurônico: naturalidade, equilíbrio e segurança

Quando se fala em preenchimento facial, uma das preocupações mais comuns é:

“Será que vou ficar com o rosto deformado?”

Esse receio está muito relacionado aos resultados exagerados que circulam nas redes sociais. Mas um preenchimento bem planejado não deve ter como objetivo transformar o rosto.

Na Boa Forma Estética, o princípio é outro: realçar características, corrigir necessidades específicas e preservar a identidade de cada pessoa.

Autoria: Simone Rebouças
Revisão técnica: Camila Rebouças — Biomédica Esteta, CRBM1-SP

O que é o preenchimento com ácido hialurônico?

O preenchimento facial é um procedimento injetável utilizado para repor ou proporcionar volume, melhorar determinados contornos, suavizar sulcos e corrigir algumas assimetrias.

O ácido hialurônico também está naturalmente presente no organismo humano. Nos preenchedores, ele é formulado para permanecer nos tecidos por determinado período e exercer diferentes funções conforme as características do produto e a região tratada.

Quais regiões podem ser tratadas?

A indicação depende sempre da anatomia e das necessidades individuais.

Entre as regiões que podem ser avaliadas para o preenchimento facial estão:

  • lábios;

  • olheiras;

  • maçãs do rosto;

  • queixo;

  • mandíbula;

  • sulcos nasogenianos;

  • linhas ao redor da boca;

  • determinadas depressões e assimetrias faciais.

Não existe uma mesma técnica ou produto adequado para todas essas regiões.

O preenchimento serve apenas para aumentar volume?

Não.

Esse é um dos principais mitos sobre o procedimento.

Dependendo da região e da técnica, o preenchimento pode ser utilizado para:

  • oferecer suporte;

  • melhorar contornos;

  • equilibrar proporções;

  • suavizar depressões;

  • corrigir pequenas assimetrias;

  • definir determinadas estruturas.

Nos lábios, por exemplo, o objetivo pode ser hidratação, definição de contorno, projeção ou volume — e não necessariamente aumentar significativamente seu tamanho.

Naturalidade vem antes da quantidade

Na experiência da Simone Rebouças, o resultado mais bonito é aquele que realça a beleza sem transformar.

Camila complementa esse princípio com uma abordagem técnica:

muitas vezes, uma abordagem gradual e a utilização da quantidade adequada de produto favorecem um resultado mais harmônico e natural.

A quantidade necessária depende de fatores como:

  • anatomia;

  • região tratada;

  • qualidade dos tecidos;

  • grau de correção;

  • tratamentos anteriores;

  • objetivo da paciente.

Por isso, não existe uma quantidade padrão que funcione para todas as pessoas.

Uma seringa é suficiente?

Nem sempre.

Também não significa que todas as pacientes precisem de várias seringas.

A quantidade de produto deve ser definida após a avaliação facial, considerando a anatomia, a região tratada e o objetivo do planejamento.

Em determinados planejamentos, o produto pode ser distribuído em pontos diferentes para oferecer suporte e equilíbrio ao rosto como um todo.

O preenchimento consegue “levantar” qualquer rosto?

Não.

Esse é outro ponto que precisa de expectativas realistas.

Existem situações em que a flacidez ou queda dos tecidos é mais acentuada e o preenchimento não é capaz de solucionar sozinho todas as alterações.

Dependendo das características do caso, podem ser considerados bioestimuladores de colágeno, tecnologias para qualidade e firmeza da pele, outros procedimentos ou, quando necessário, avaliação cirúrgica.

O preenchimento não deve ser utilizado para tentar compensar indiscriminadamente todas as alterações do envelhecimento.

Preenchimento, toxina botulínica e bioestimulador fazem a mesma coisa?

Não.

Preenchimento com ácido hialurônico

Atua principalmente em estrutura, contorno, proporções, volume e determinadas depressões.

Toxina botulínica

Atua principalmente reduzindo temporariamente a atividade de músculos relacionados às linhas de expressão dinâmicas.

Bioestimulador de colágeno

É utilizado quando o objetivo principal envolve estímulo de colágeno, firmeza e melhora progressiva da qualidade da pele.

Em alguns casos, os três recursos podem fazer parte de um mesmo planejamento porque tratam necessidades diferentes.

O resultado aparece imediatamente?

Grande parte da mudança pode ser percebida logo após o procedimento.

Entretanto, não se deve avaliar o resultado final imediatamente.

Nas primeiras horas ou dias podem surgir:

  • inchaço;

  • vermelhidão;

  • sensibilidade;

  • pequenos hematomas;

  • pequenas assimetrias temporárias.

Conforme o edema diminui e o produto se integra aos tecidos, a avaliação do resultado torna-se mais adequada.

Quanto tempo dura o preenchimento?

A duração varia.

Na experiência da Camila, muitos preenchimentos permanecem aproximadamente entre um e dois anos, mas isso não pode ser considerado uma promessa.

A duração depende de:

  • produto utilizado;

  • região;

  • quantidade;

  • metabolismo;

  • características individuais;

  • movimentação da região.

A FDA também destaca que diferentes materiais e produtos têm durações distintas e que os efeitos não são permanentes na maioria dos preenchedores absorvíveis.

Como funciona a manutenção?

Manutenção não significa simplesmente repetir a mesma quantidade após determinado número de meses.

Primeiro é feita uma nova avaliação.

A profissional verifica:

  • quanto do resultado permanece;

  • se ainda existe necessidade de correção;

  • se outra região merece atenção;

  • se o melhor caminho é complementar ou apenas acompanhar.

Isso ajuda a evitar excesso de produto ao longo do tempo.

É possível associar outros tratamentos?

Sim, quando há indicação.

Na Boa Forma Estética, o preenchimento pode fazer parte de planejamentos que também incluam:

  • bioestimuladores de colágeno;

  • toxina botulínica;

  • tratamentos voltados à hidratação;

  • tecnologias para qualidade da pele.

A filosofia é a mesma adotada nos demais tratamentos:

associar não significa fazer mais procedimentos. Significa tratar necessidades diferentes de forma complementar.

Quais são os riscos?

Preenchimentos são procedimentos injetáveis e não são isentos de riscos.

Efeitos mais comuns incluem inchaço, vermelhidão, sensibilidade, dor e hematomas. Complicações menos comuns também podem ocorrer.

Uma das complicações mais importantes, embora rara, é a injeção acidental do produto em um vaso sanguíneo, que pode comprometer a circulação dos tecidos e exigir atendimento imediato.

Por isso, conhecimento anatômico, produto adequado, técnica e capacidade de reconhecer e manejar intercorrências são fundamentais.

E a hialuronidase?

A hialuronidase é uma enzima capaz de degradar o ácido hialurônico e pode ser utilizada em determinadas situações relacionadas a preenchimentos desse material.

Ela não deve ser entendida simplesmente como um “antídoto para alergia”.

Seu uso depende da intercorrência identificada e da avaliação do profissional responsável.

Quem não deve realizar o procedimento?

A avaliação precisa considerar o histórico individual.

Entre as situações que exigem atenção estão:

  • infecção ou inflamação ativa na região;

  • alergias;

  • doenças e condições clínicas relevantes;

  • medicamentos em uso;

  • procedimentos anteriores.

A segurança do uso de determinados preenchedores durante gravidez e amamentação também pode não estar estabelecida, portanto essas situações precisam ser avaliadas de maneira específica.

O produto é igual para todas as regiões?

Não.

Existem preenchedores com diferentes características de:

  • firmeza;

  • elasticidade;

  • capacidade de projeção;

  • integração aos tecidos;

  • retenção de água.

A escolha do produto faz parte do planejamento.

A Anvisa também orienta que o preenchimento seja realizado respeitando as regiões anatômicas, quantidades e indicações previstas nas instruções de uso aprovadas para cada produto.

O erro de tentar copiar outro rosto

Uma das expectativas que mais preocupam Camila é a paciente chegar desejando exatamente o lábio, queixo ou mandíbula de outra pessoa.

Cada rosto possui:

  • anatomia própria;

  • proporções diferentes;

  • formato ósseo individual;

  • características particulares dos tecidos.

Um resultado natural não nasce da reprodução de outro rosto.

Nasce da avaliação do próprio rosto.

Perguntas frequentes

Preenchimento sempre deixa o rosto volumizado?

Não. Dependendo da indicação e da técnica, pode ser utilizado para suporte, contorno ou correção de pequenas depressões sem produzir aparência excessivamente volumizada.

Preenchimento consegue acabar com toda a flacidez?

Não. Flacidez e perda de volume são alterações diferentes, embora possam coexistir.

O ácido hialurônico é permanente?

Não. Os preenchimentos absorvíveis de ácido hialurônico são gradualmente degradados pelo organismo.

Preciso repetir exatamente a mesma quantidade na manutenção?

Não. A necessidade deve ser definida em uma nova avaliação.

Posso associar preenchimento e bioestimulador?

Em determinados casos, sim. Eles possuem objetivos diferentes e podem ser complementares quando existe indicação.

Conclusão

O preenchimento facial não deve ser medido apenas em mililitros.

O resultado depende de anatomia, planejamento, produto, técnica e capacidade de compreender o rosto como um conjunto.

Na Boa Forma Estética, a filosofia pode ser resumida em uma palavra:

Naturalidade.

Como explica Simone Rebouças:

“O resultado bonito é aquele que realça a beleza sem transformar.”

E Camila acrescenta um ponto essencial:

Não escolha um preenchimento apenas pelo preço ou pela quantidade de produto. Procure um profissional habilitado, que explique indicação, produto, benefícios, limitações e riscos.

Fontes e referências

Este conteúdo reúne a experiência clínica da Boa Forma Estética com evidências científicas recentes e orientações regulatórias sobre preenchimentos faciais com ácido hialurônico. A indicação, a quantidade de produto, a região tratada, a duração e o resultado devem ser individualizados. Embora os preenchedores de ácido hialurônico sejam amplamente utilizados, trata-se de um procedimento injetável que exige conhecimento anatômico, produto regularizado, técnica adequada e capacidade de reconhecer e manejar possíveis intercorrências.

Safia A, Abd Elhadi U, Merchavy S, Batheesh R, Bathish N. Efficacy and Safety of Hyaluronic Acid Fillers for Midface Augmentation: A Systematic Review and Meta-Analysis. Medicina, 2025.
Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos sobre preenchimento com ácido hialurônico no terço médio da face. Encontrou evidências de benefício estético e satisfação dos pacientes, mas também heterogeneidade elevada entre alguns estudos e limitações na comparação entre diferentes produtos e tratamentos. Seus resultados não devem ser extrapolados automaticamente para todas as regiões faciais.

Costa MC, Andrade CA, Dantas RVF, Germani M, Buzalaf MAR, Soares DG. Clinical Durability of Hyaluronic Acid-Based Dermal Fillers for Facial Application: A Systematic Review. Aesthetic Plastic Surgery, 2026.
Revisão sistemática dedicada à duração dos preenchedores faciais. Mostra que não existe um prazo universal: persistência e resultado dependem da tecnologia de fabricação do produto, mobilidade dos tecidos, características anatômicas e região tratada. A literatura avaliada encontrou grande variação de duração entre diferentes produtos e áreas.

Ferreto FA, Santos WVO, Sarkis-Onofre R. Adverse reactions and complications caused by hyaluronic acid injections in the face: A scoping review. Brazilian Dental Journal, 2026.
Revisão recente brasileira que mapeou reações adversas e complicações descritas após preenchimentos faciais com ácido hialurônico. Além de efeitos mais comuns, como edema e equimoses, foram descritas complicações vasculares raras e potencialmente graves, incluindo isquemia, necrose e casos com comprometimento visual ou neurológico. Os próprios autores ressaltam que grande parte dessa literatura ainda é composta por relatos e séries de casos.

Alhusain AM, et al. Hyaluronidase Protocol in Management of Hyaluronic Acid Filler-Related Vascular Complications: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthetic Plastic Surgery, 2026.
Revisão sistemática e meta-análise sobre o uso da hialuronidase no manejo de complicações vasculares relacionadas ao ácido hialurônico. A publicação reforça a importância do reconhecimento e tratamento rápidos de uma oclusão vascular. A possibilidade de degradar o ácido hialurônico é uma característica relevante desse tipo de preenchedor, mas não significa que qualquer intercorrência possa ser simplesmente ou integralmente “revertida”.

ANVISA — Preenchedores dérmicos: uso somente dentro das indicações aprovadas.
Orientação oficial sobre segurança no uso de preenchedores dérmicos, incluindo ácido hialurônico, regularização dos produtos, regiões e volumes autorizados e prevenção de complicações.

Quer saber se o preenchimento facial é indicado para você?

Uma avaliação individualizada permite analisar sua anatomia, suas proporções e suas necessidades antes de definir qualquer quantidade ou procedimento.

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